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Telemonitoramento durante a pandemia de COVID-19 na Clínica de Família Zilda Arns, RJ

Enquanto seguem os esforços da Rede APS de divulgar experiências bem-sucedidas e recomendações para a atuação da APS durante a pandemia de COVID-19, apresentamos a interessante experiência da Clínica de Família Zilda Arns (RJ), que se organizou em quatro Grupos de Trabalho para enfrentar a pandemia: GT de Triagem / Ala COVID-19; GT de Telemonitoramento COVID-19; GT Comunitário; e GT Acadêmico / Pesquisa. O enfoque deste texto será no GT de Telemonitoramento COVID-19, que foi apresentado ao Comitê Gestor da Rede APS, em reunião online no dia 12 de maio 2020, pelo Dr. Humberto Sauro, integrante da coordenação do programa de Residência em MFC/SMS-RJ e médico de família e comunidade da referida clínica.

Telemonitoramento

A experiência da CF Zilda Arns destaca-se pela iniciativa de desenvolver um painel para o monitoramento da doença, atualizado diariamente pela equipe através do Google Forms e diretamente conectado ao E-SUS de vigilância epidemiológica, permitindo a notificação para o Ministério da Saúde. A ideia do painel local surgiu pela demanda da população de saber quantos casos havia no Complexo do Alemão e induzir as pessoas a aderir ao isolamento social. Inspiraram-se na experiência de Manguinhos e lançaram o painel no dia 18 de abril. Ressalta-se que os desenvolvedores do painel não são formados em informática, então foram aprendendo a fazer através de vídeos no YouTube. Para apoiar outras clínicas na construção de um painel de monitoramento, o GT produziu e divulgou um vídeo tutorial. Vale salientar que a unidade tem o apoio de funcionários da SMS cooperando com a equipe na realização de vigilância epidemiológica na unidade de saúde. Estes auxiliam no levantamento e na reparação de possíveis erros de notificação.

O painel tem sido fundamental para a comunicação com a população, trazendo informações locais, do território, que são usadas na comunidade para divulgar quantas pessoas estão contagiadas e quantas morreram, entre outras informações, e assim reforçar a estratégia de isolamento social. Ressalta-se a necessidade de triangular este tipo de iniciativa com os dados coletados pela Prefeitura Municipal e procurar explicações quando houver discrepâncias. A utilização do painel foi tão bem-sucedida que os gestores da CF decidiram mantê-lo após a pandemia.

A Clínica, como em outras experiências, também estabeleceu protocolos para outras ações de telemonitoramento. Respeitando as Notas Técnicas publicadas, definiu quais pacientes deveriam ser contatados e com qual frequência, para otimizar e dar viabilidade ao trabalho de telemonitoramento.  Para auxiliar a implementação do mesmo, provisionaram quatro aparelhos celulares novos, que foram utilizados por alguns profissionais, enquanto outros preferiram utilizar o próprio aparelho pessoal. Adicionalmente, disponibilizou uma sala dedicada à ligação telefônica, meio preferido para o primeiro contato, com segunda opção de contato por mensagens via WhatsApp.

Enquanto o tempo passou e a pandemia evoluiu, as informações disponíveis aumentaram, guiando ajustes nos protocolos estabelecidos. Em maio, o GT de Telemonitoramento decidiu descentralizar as ligações de vigilância para as equipes, para manter o vínculo pessoal com a comunidade. Neste mesmo sentido, esforçaram-se para reinventar o trabalho dos ACS, para não ter aglomeração na unidade, e evitar visitas domiciliares – salvo nos casos mais urgentes. Os ACS apoiaram, entre outras coisas, o monitoramento dos contatos dos casos sintomáticos, através de busca ativa na comunidade. O processo foi bem-sucedido, revelando os ACS como um precioso recurso para acompanhar a evolução dos casos e obter informações úteis à vigilância em saúde da comunidade e mantendo a CF próxima dos pacientes.

Recomendações

A partir da experiência, o Dr. Humberto desenvolveu 11 recomendações para outras unidades poderem reproduzir as práticas da CF Zilda Arns.

  1. Priorizar o monitoramento dos pacientes SRAG/Vaga Zero, a cada 24h;
  2. Monitorar, em seguida, aqueles que tiveram a presença de síndrome gripal ou pertencem a grupos de risco;
  3. Realizar os atendimentos do primeiro contato por LIGAÇÃO TELEFÔNICA. Caso não consiga contato, enviar mensagem pelo Whatsapp;
  4. Cadastrar os números de telefone no Whatsapp Business; este aplicativo permite mensagens automáticas bastando escrever “/” para visualizá-las;
  5. Registrar na planilha o envio de mensagem pelo Whatsapp e identificar por qual telefone foi, até que se consiga o retorno do paciente;
  6. Para fazer ligações no modo privado basta adicionar “#31#” antes do número ao discar;
  7. No formulário estará sinalizado se a consulta refere-se a primeiro atendimento ou retorno. Em caso de retorno, dar alta no contato mais antigo;
  8. Identificar sempre na planilha a equipe à qual o paciente pertence;
  9. Dar ALTA aos pacientes com mais de 14 dias de sintomas (com ao menos um contato), exceto se o profissional julgar ser necessário manter o monitoramento conforme último contato com o usuário: período de convalescência pode ir até 21 dias;
  10. Utilizar modelos de registros para auxiliar no telemonitoramento: documentos que orientam o registro de forma padronizada, para evitar uma digitação livre dos profissionais de saúde. Procurar orientação nas notas técnicas da SMS e do MS;
  11. Cada equipe deve ser responsável por realizar o telemonitoramento da própria área, adequando-se para garantir a vigilância diária.

Temos aqui um trabalho muito criativo, que mostra a oportunidade que muitas unidades no Brasil estão tendo para se reinventar. O Comitê Gestor da Rede APS considera a CF Zilda Arns uma unidade de ensino importante, que revela como o telemonitoramento pode prevenir casos mais graves e ensina os benefícios de intervir mais precocemente. Além disso, aprecia o esforço autônomo da unidade se organizar para monitorar sua área de atuação através de um painel próprio, com o apoio das lideranças comunitárias para alcançar comunidade.

Por Diana Ruiz e Valentina Martufi, doutorandas ISC/UFBA que contribuem para a REDE APS.

 

Rede APS

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