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Arquivo Diário 22 de abril de 2021

Vacina é no SUS: na APS ! Participe do 1 Seminário 2021 com o tema Os desafios da Vacinação contra Covid-19 na APS no SUS -27/04

O acesso rápido à vacinação contra Covid-19, uma das mais importantes medidas para o controle da pandemia é um desafio global, mas no Brasil,  tornou-se ainda mais difícil em decorrência do negacionismo do governo federal e sua estratégia político institucional deliberada, com empenho na ação da União em favor da ampla disseminação do vírus no território nacional, deixando a população morrer até alcançar a imunidade de rebanho, com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo, com constantes entraves às respostas locais (Asano et al, 2021).

Os desafios globais são muitos em face às grandes disparidades entre o Norte e o Sul globais no acesso às vacinas Covid-19, à escassez no mercado mundial de matérias-primas, as grandes encomendas dos países ricos que excedem, em muito, suas necessidades populacionais, concentram as indústrias farmacêuticas, proíbem a exportação de vacinas produzidas em seus países e não transferem tecnologia (Corrêa F, Ribeiro 2021). Essas dificuldades são preocupantes, não apenas desde uma perspectiva ética e de justiça social, mas também porque a falta de acesso oportuno às vacinas prolongará ainda mais a pandemia e aumenta o risco de surgimento de novas cepas do vírus contra as quais as vacinas aprovadas podem não ser eficazes (Wouters et al., 2021).

Além desses problemas globais, o governo brasileiro, em meados de 2020, se recusou a negociar / comprar vacinas produzidas pelo Instituto Butantan de São Paulo e empresa chinesa Sinovac, e negou as ofertas de compra das empresas Pfizer e Jansen. Inicialmente, anunciou que não participaria do Covax Facility, a aliança global coordenada pela OMS para distribuir imunizantes a países de baixa e média renda (WHO, 2020) e, posteriormente, não aceitou todas as vacinas a que teria direito na Aliança. Ainda mais grave, o governo brasileiro votou contra a proposta da Índia e da África do Sul na OMC de suspender as patentes de vacinas, medicamentos e suprimentos hospitalares para combater a Covid-19 durante a pandemia. Esta decisão permitiria ampliar muito a produção mundial de vacinas, facilitando o acesso. O Brasil é o único país que se opõe à esta iniciativa entre as nações de baixa e média renda.

Atualmente, abril de 2021, temos no Brasil vacinas em produção no país, Coronavac Butantan e Oxford / Astrazeneca / Fiocruz, com proposição de transferência de tecnologia, mas ainda dependentes de insumos farmacêuticos da China, com atrasos frequentes.

Além dessa baixa disponibilidade de vacinas contra Covid-19, no país, o plano nacional de imunização demorou a ser elaborado, está incompleto e não há definição clara dos grupos prioritários com inclusão constante de novos grupos por pressão da clientela política do governo federal.

Soma-se a estes descalabros, por proposição do presidente da câmara federal e pressão de empresários governistas de extrema direita com consentimento do Ministério da Saúde, projeto já aprovado na Câmara dos Deputados que permite a compra de vacinas contra Covid-19 por empresas privadas com a finalidade estrita de imunizar seus empregados e familiares. E gravíssimo: o projeto permite e compra pelo setor privado de vacinas sem avaliação e autorização da ANVISA. A compra da vacina contra Covid-19 pelo setor privado fere os princípios constitucionais do direito universal e igualitário à saúde. Objetiva privilegiar mais uma vez os mais privilegiados, em detrimento da maioria da população, aprofundando ainda mais as desigualdades no acesso à saúde.

Vacina é no SUS: na APS! A capacidade da APS de imunização rápida da população seria enorme, não fosse o negacionismo do governo nacional que obstaculiza o acesso às vacinas. Mais de 37 mil unidades básicas de saúde oferecem vacinação de rotina, possuem geladeiras exclusivas para vacinas, têm pessoal com experiência em imunização e estão participando da vacinação contra Covid-19. Com esta infraestrutura capilarizada em todo o país, o SUS teria capacidade de imunizar até 2 milhões de pessoas por dia! No entanto, o processo de vacinação tem sido muito lento devido à baixa disponibilidade e distribuição de vacinas no país. Ainda assim, até 20 de abril foram aplicadas mais de 33 milhões de doses de vacina anti-Covid -19.

A vacinação pelas equipes de APS requer organização da UBS para vacinação; treinamento específico já que são utilizadas diferentes vacinas, com diferentes formas de aplicação e período para a segunda dose; registro adequado na caderneta de vacinação; cadastro de vacinados em sistemas de informação; e estratégias de vigilância e monitoramento de possíveis efeitos adversos. Para debater e informar sobre estes temas, a Rede de Pesquisa em APS da Abrasco está organizando o seminário:

Os desafios da Vacinação contra Covid-19 na Atenção Primária à Saúde no SUS  que acontecerá no dia  27 de abril das 9h às 12h

Transmitido pelo YOUTUBE TV ABRASCO

https://youtu.be/uoUUgZ5kpMA