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Novas evidências de eficácia e efetividade da vacina Coronavac

A vacina Coronavac é um dos imunobiológicos disponíveis no Brasil, produzido pelo Instituto Butantan. Evidências recentemente publicadas têm reafirmado sua eficácia em estudos clínicos controlados de fase III, e sua efetividade na população em geral. A seguir apresentamos os principais resultados dos estudos sobre eficácia, segurança e efetividade dessa vacina com o objetivo de contribuir com a difusão de informações relevantes para promover a vacinação contra a Covid-19 de forma segura.

Na revista The Lancet foi publicado um estudo clínico de fase III, duplo cego, randomizado e controlado por placebo realizado na Turquia. Na pesquisa participaram 10.218 voluntários de 18 a 59 anos selecionados entre 15 de setembro de 2020 e 6 de janeiro de 2021. 6.650 participantes (65,1%) receberam a vacina e 3.568 (34,9%) o placebo. Após 14 dias da aplicação da segunda dose da vacina Coronavac estimou-se uma eficácia de 83,5% (IC 95% 65,4–92,1; p <0·0001) para a prevenção de casos sintomáticos de Covid-19. Além disso, a vacina apresentou um perfil de segurança satisfatório: A incidência de eventos adversos foi baixa (18,9%), nenhum dos eventos adversos apresentados foi grave e não houve nenhum óbito durante o período de estudo; entre os eventos adversos apresentados 90,2% (3.469) foram leves (grau 1) (Tanriover et al., 2021).

No New England Journal of Medicine foi publicado um estudo de coorte observacional prospectivo para estimar a eficácia da vacina Coronavac no Chile. A pesquisa foi conduzida no período de 2 de fevereiro até 1 de maio de 2021 com 10,2 milhões de pessoas de 16 anos ou mais que estavam vinculados ao Fonasa, seguro social público de saúde. A coorte foi organizada em três grupos: aqueles que não foram vacinados, aqueles parcialmente vacinados (14 dias após a primeira dose e antes da segunda dose) e aqueles totalmente imunizados (14 dias após a segunda dose). Foram controladas caraterísticas do paciente (idade, sexo, região de residência, renda, nacionalidade, comorbilidades) que poderiam confundir a associação entre vacina e desfecho. Os resultados da pesquisa foram que entre as pessoas totalmente imunizadas, a efetividade da vacina ajustada foi de 65,9% (IC 95%, 65,2-66,6) para prevenção de Covid-19; 87,5% (IC 95%, 86,7-88,2) para prevenção de hospitalização; 90,3% (IC 95%, 89,1-91,4) para prevenção de admissão na UTI; e 86,3% (IC 95%, 84,5-87,9) para prevenção de óbito por Covid-19. Entre as pessoas parcialmente imunizadas a efetividade da vacina foi de 15,5% (IC 95%, 14,2-16,8) para prevenção de Covid-19; 37,4% (IC 95%, 34,9-39,9) para prevenção de hospitalização; 44,7% (IC 95%, 40,8-48,3) para prevenção de admissão em UTI; e 45,7% (IC 95%, 40,9-50,2) para prevenção de óbito relacionado com Covid-19. (Jara et al., 2021).

No Brasil, o Observatório Covid-19 da Fiocruz divulgou uma nota técnica sobre a efetividade da vacinação contra Covid-19 no Brasil para casos de hospitalização e óbito. O estudo foi realizado através de análises estatísticas com informação proveniente das bases de dados de vacinação SI-PNI e SIVEP-gripe do Programa Nacional de Imunização, com dados de 40 milhões de pessoas que tinham recebido pelo menos uma dose de vacina, reportados até 7 de junho de 2021. Para a vacina Coronavac com o esquema completo de duas doses estimou-se uma efetividade de 79,6% (IC 95%: 79,2–80,0) para pessoas entre 60-79 anos e de 68,8% (IC 95%: 68,2–69,5) para pessoas de 80 anos ou mais. (Villela et al., 2021).

Observa-se que os estudos divulgados até o momento sobre a vacina Coronavac tanto no Brasil quanto em outros países sugerem alta eficácia e efetividade desta vacina contra as formas mais graves da doença, hospitalizações e óbitos associados à Covid-19. Além disso é uma vacina com um bom perfil de segurança. Por tanto, o uso deste imunobiológico dentro dos planos de vacinação do Brasil e de outros países pode contribuir de maneira importante para a redução de mortes por Covid-19 e para o controle da pandemia, associado a outras medidas de vigilância em saúde que devem ser mantidas e fortalecidas.

 

Por: Diana Ruiz, doutoranda que contribui com a Rede APS

Referências

Jara A, Undurraga E, Gonzalez C. Effectiveness of an Inactivated SARS-CoV-2 Vaccine in Chile. The New England Journal of Medicine 2021 jul DOI: 10.1056/NEJMoa2107715. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2107715 Acesso: 12 jul 2021

Tanriover MD, Doğanay HL, Akova M, et al. Efficacy and safety of an inactivated whole-virion SARS-CoV-2 vaccine (CoronaVac): interim results of a double-blind, randomised, placebo-controlled, phase 3 trial in Turkey. Lancet. 2021 Jul doi: 10.1016/S0140-6736(21)01429-X Acesso: 12 jul 2021

Villela D, Struchiner C, Bastos L, et al. Nota Técnica: Análise de efetividade da vacinação da COVID-19 no Brasil para casos de hospitalização ou óbito. Observatorio Covid-19 Informação para ação. Fiocruz, Programa de Computação Científica, Escola Nacional de Saúde Pública, Bio-Manguinhos e Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u34/nt_efetividade_vacinas.pdf Acesso: 12 jul 2021

 

Rede APS

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