O Censo das Unidades Básicas de Saúde realizado em 2024, identificou que apenas 63,0% das unidades básicas de saúde realizavam avaliação multidimensional para determinação do grau de autonomia e independência da pessoa idosa e aplicavam a escala para classificação de risco.
No SUS, é recomendada a realização e o registro da avaliação da saúde da pessoa idosa com abordagem multidimensional e/ou a utilização do Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), instrumento destinado à avaliação da vulnerabilidade da pessoa idosa, disponível no prontuário eletrônico da Atenção Primária à Saúde (PEC e-SUS APS). .
O IVCF-20 visa à identificação de possíveis fragilidades que possam interferir na qualidade de vida da pessoa idosa. Para isso, são avaliados aspectos como idade, percepção da saúde, atividades da vida diária, cognição, humor, mobilidade, comunicação e presença de comorbidades. Sua aplicação tem duração média de cinco a dez minutos.
Sua importância aumenta ao considerarmos o crescimento acelerado no número de pessoas idosas. Atualmente, o Brasil conta com mais de 30,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando cerca de 14,6% da população e, estima-se que, em 2070, a população idosa represente 35% do total de brasileiros. Vale destacar o aumento expressivo da população de pessoas com 80 anos ou mais. (BRASIL, 2023)
O processo de envelhecimento é caracterizado por alterações estruturais, bioquímicas, funcionais e psicológicas. Trata-se de um processo dinâmico, progressivo e individual, influenciado por fatores genéticos, condições de saúde física, mental, ambientais e sociais relacionadas ao desenvolvimento do ser humano ao longo da vida.
No Brasil, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), lançada em 2006, teve como objetivo atuar na recuperação, na manutenção e na promoção da autonomia e da independência, por meio de medidas individuais e coletivas, com base nos princípios do SUS. (BRASIL, 2026)
Entre as diretrizes da PNSPI, destaca-se a atenção integral e integrada à pessoa idosa, que prevê um atendimento global, interdisciplinar e multifatorial. Além disso, a política preconiza o estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade do cuidado e das ações desenvolvidas.(BRASIL, 2023)
O atendimento em unidades básicas de saúde no território de sua residência, o atendimento ambulatorial e especializado, deve ser garantido e o cuidado coordenado a partir da atenção primária à saúde (APS), assegurando também, o atendimento domiciliar, incluindo, quando necessário, a internação (BRASIL, 2023).
Nesse sentido, o acompanhamento do histórico de registros do IVCF-20, aliado à análise crítica dos parâmetros que foram alterados ou aprimorados ao longo do tempo, proporciona informações relevantes para as equipes de saúde da APS, auxiliando na avaliação da efetividade das intervenções e do tratamento proposto.
O IVCF-20 está disponível no campo “Objetivo” do SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano), a partir da versão 5.3 no PEC e-SUS APS, do Ministério da Saúde.
Portanto, para o planejamento de ações no cuidado da pessoa idosa na APS, recomenda-se identificar o número de idosos no território de abrangência e compreender suas diferentes necessidades, classificando-os de acordo com a capacidade funcional e os cuidados necessários.
A partir desse diagnóstico, torna-se fundamental organizar a oferta de serviços, como consultas com equipe multiprofissional, vacinação, visitas domiciliares e ações intersetoriais, entre outras estratégias que viabilizem a continuidade do cuidado.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 20 out. 2006. Disponível em: Biblioteca Virtual em Saúde – Portaria nº 2.528/2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Gestão do Cuidado Integral. Guia de cuidados para a pessoa idosa [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 164 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_cuidados_pessoa_idosa.pdf.
BRASIL. Ministério da Saúde. Ações para a pessoa idosa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2025?]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa/acoes.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Versão 5.3: novidades e funcionalidades do e-SUS APS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/docs/versoes/versao_5_3/
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde; Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde ABRASCO (org.). Panorama da APS no SUS: Censo Nacional das UBS 2024. Brasília, DF: Ed. do Autor, 2025. PDF. ISBN 978-65-01-81876-4. Disponível em: https://redeaps.org.br/informativos-e-noticias/noticias/lancamento-do-e-book-panorama-da-aps-no-sus-censo-nacional-das-ubs-2024/14705/
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE (CONASEMS). Websérie Indicadores: episódio 12 é sobre Cuidado Integral da Pessoa Idosa. Mais Conasems, Brasília, 24 set. 2025. Disponível em: https://mais.conasems.org.br/novidades/602_webserie-indicadores-episodio-12-e-sobre-cuidado-integral-da-pessoa-idosa .
Elaborado por Camila Nóbrega, da Secretaria Executiva da Rede de Pesquisa em APS, e Elaine Thumé da Universidade Federal de Pelotas – UFPel e Membro do Comitê Gestor da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde – ABRASCO.
Boletim Informativo, 15 de junho de 2026.
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