Trajetória e desafios persistentes da Estratégia Saúde da Família no Brasil
Ensaio sobre a trajetória e desafios persistentes da Estratégia Saúde da Família (ESF) no Brasil, a partir de inquietações quanto às perspectivas para implementação plena desta abordagem de atenção primária à saúde de base territorial e orientação comunitária no Sistema Único de Saúde (SUS).
O artigo “30 anos da Estratégia Saúde da Família no Sistema Único de Saúde: marcos, avanços, retrocessos e desafios”, de Ligia Giovanella, Maria Helena Magalhães de Mendonça, Estela Márcia Saraiva Campos, Ana Luiza Queiroz Vilasbôas, Rosana Aquino e Luiz Augusto Facchini, integra um debate publicado nos Cadernos de Saúde Pública. Examina a trajetória de expansão e revisita criticamente os principais marcos institucionais da ESF nestes 30 anos, destacando a indução financeira federal associada ao processo de municipalização; ampliação da mutiprofissionalidade no trabalho desenvolvido nas unidades básicas de saúde (UBS) e territórios; indução da qualidade articulada à avaliação da estrutura e processo das equipes e transferências financeiras associadas ao desempenho; e provimento emergencial de médicos em áreas desassistidas, associado à formação profissional.
Acesse o artigo em: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT206025
A publicação reúne cinco textos de debatedores, que apresentam diferentes perspectivas e reflexões sobre a trajetória e os desafios atuais da Estratégia Saúde da Família:
Dirceu Klitzke – A Estratégia Saúde da Família como política de Estado: trajetória, capacidade institucional e agenda contemporânea da atenção primária à saúde.
Acesse o texto na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT271325
James Macinko – Uma reflexão sobre 30 anos da Estratégia Saúde da Família.
Acesse o texto na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT006226
Luciano Bezerra Gomes – Uma estratégia com pouca política?
Acesse o texto na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT020026
Natalia Houghton e Ernesto Bascolo – Requisitos estruturais para a consolidação da Estratégia Saúde da Família e coordenação dos cuidados.
Acesse o texto na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XEN027926
Claunara Schilling Mendonça e Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – Estratégia Saúde da Família e os novos horizontes para a qualidade da atenção primária brasileira.
Acesse o texto na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT051226
Ao final, os autores do artigo apresentam uma réplica, respondendo às contribuições dos debatedores e aprofundando a análise sobre os avanços, retrocessos e desafios para a consolidação da Estratégia Saúde da Família no SUS.
Ligia Giovanella, Maria Helena Magalhães de Mendonça, Estela Márcia Saraiva Campos, Ana Luiza Queiroz Vilasbôas, Rosana Aquino e Luiz Augusto Facchini – Perseverar na abordagem integral comunitária da Estratégia Saúde da Família
Acesse o texto da réplica na íntegra: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT077226
O debate oferece uma leitura abrangente sobre os 30 anos da ESF e contribui para a reflexão sobre os caminhos da Atenção Primária à Saúde no Brasil.
Sintetiza repercussões da expansão da cobertura da ESF e da adoção de práticas centradas em pessoas, famílias e comunidades sobre a saúde e o acesso. Retrocessos, entre 2016 e 2022, com restrições à multiprofissionalidade, abordagem comunitária e ameaças à universalidade e integralidade são abordados criticamente, bem como a retomada, pelo Governo Federal, da prioridade para a ESF a partir de 2023.
Os dados do Censo Nacional das UBS 2024 ilustram a situação atual resultante desta trajetória. Na análise dos desafios para a efetiva mudança no modelo assistencial e universalização da ESF, destaca-se suficiência do financiamento; estabilidade funcional, formação e trabalho colaborativo interprofissional; os riscos de mercantilização na atenção primária à saúde (APS); coordenação do cuidado e rol da APS na regulação assistencial e; as desigualdades geográficas, sociais e étnico-raciais no acesso.
O artigo destaca que a implementação plena do modelo de assistência da ESF exige um compromisso renovado com os princípios subjacentes da participação pública, a abordagem baseada no território e na comunidade, a integração da vigilância da saúde e do atendimento individual oportuno, a promoção da saúde e a prevenção de doenças, a integração de redes e abordagens intersetoriais para promover a saúde e reduzir as desigualdades de gênero, raça, etnia e sociais.
Sem dúvida, para consolidar a ESF é necessário superar a vulnerabilidade institucional à mudança política e defender os princípios subjacentes do SUS consubstanciados na Constituição como os princípios orientadores inegociáveis da política de Atenção Primária à Saúde.
Acesse o artigo na íntegra em: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT206025
Boletim Informativo, 31 de agosto de 2026.
Elaborado por Camila da C. S. Nóbrega, da Secretaria Executiva da Rede APS da Abrasco.
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