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Arquivo Mensal outubro 2020

Além do distanciamento físico é necessário o uso de máscaras e considerar a ventilação e tempo de exposição

Artigo publicado no British Medical Journal BMJ no dia 25 agosto de 2020 discute a evidência para as medidas de distanciamento físico adotadas para o controle da Covid-19.

Os autores e autoras do artigo destacaram que as recomendações que definem regras de distanciamento físico específicas de 1 ou 2 metros para reduzir a transmissão por SARS-CoV-2 estão baseadas numa noção científica antiquada. Os estudos nos quais essas recomendações estão baseadas começaram no século XIX e indicam que gotas grandes que são emitidas ao falar, tossir ou espirrar caem perto do emissor. As gotas pequenas ou aerossóis se evaporam antes de cair, então, sem fluxo de ar, ficam perto do exalador. No entanto, 8 dos 10 estudos analisados numa revisão sistemática recente encontraram gotas respiratórias além de 2m para partículas de até 60 μm, resultados que sugerem que o SARS-CoV-2 poderia se estender além de 2 m. Alguns estudos relacionados com SARS-CoV-1, MERS-CoV e Gripe aviária também encontraram uma possível propagação além de 2 m.

A noção científica que indica que as gotas não chegam além de 2 metros não leva em conta a física das exalações respiratórias, segundo a qual quando exalamos, cantamos, tossimos ou espirramos produzimos nuvens de gás quente, úmido e com grande impulso de ar. Essas características ocasionam que gotas de diferentes tamanhos fiquem concentradas e sejam levadas por vários metros (7-8m) em poucos segundos.  

Esses estudos de dinâmica de fluidos ajudam a explicar surtos como o ocorrido numa prática de coro nos Estados Unidos onde foram infectados 32 cantores, a pesar do distanciamento físico, casos em academias, igrejas e centros de ligações telefônicas. 

A respiração ofegante que se produz ao correr ou praticar alguns esportes ocasiona exalações violentas com maior impulso que a respiração habitual o que aumenta a distância alcançada pelas gotas que ficam na nuvem de gás, portanto, precisa se um maior distanciamento social na pratica de exercício vigoroso. No entanto, as gotas diluem-se mais rapidamente em exteriores bem ventilados, reduzindo o risco de transmissão.

No artigo conclui-se que para determinar o risco precisa-se levar em conta não somente o distanciamento físico, também fatores como a ventilação, o padrão de fluxo de ar, o tipo de atividade realizada, a carga viral do emissor, a duração da exposição e a susceptibilidade do indivíduo à infeção. Nessa perspectiva, as regras de distanciamento físico seriam mais efetivas se fossem adequadas aos níveis diferentes de risco, portanto os autores e autoras propõem uma primeira versão de um guia de como o risco de transmissão muda de acordo ao entorno, nível de ocupação, tempo de contato e uso de máscara facial. As situações de maior risco seriam espaços interiores com pouca ventilação, alta ocupação, tempo de contato prolongado e sem uso de máscara (como bares ou clubes noturnos), nos quais se precisaria um distanciamento físico maior a 2m e minimizar a ocupação e o tempo de exposição. Em cenários de baixo risco pode considerar-se um distanciamento menos estrito. Os casos sintomáticos respiratórios deveriam ficar isolados porque tendem a ter maior carga viral e exalações respiratórias mais frequentes e violentas.

Acesse o artigo na integra no link a seguir https://www.bmj.com/content/370/bmj.m3223

Leia também – https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-10-26/uma-sala-de-estar-um-bar-e-uma-sala-de-aula-assim-o-coronavirus-e-transmitido-pelo-ar.html#?sma=newsletter_brasil_diaria20201027

Por Diana Ruiz doutoranda ISC/UFBA que contribue para a REDE APS.

 

Manifestações sobre o Polêmico decreto de PPI para privatização da APS

Um verdadeiro ovo de serpente, que traz em seu interior a quebra a constitucionalidade do direito à saúde e subverte as premissas do Sistema Único de Saúde (SUS) e o papel orientador da Atenção Primária à Saúde (APS). Desde o início da circulação do decreto 10.530/20, publicado no final da segunda-feira, 26 de outubro, especialistas das Saúde vêm debatendo os pontos nocivos que o instrumento apresenta e trazendo à público inconsistências e aspectos nocivos.

“Isso é a porta aberta para a desconstrução do SUS” avaliou Gulnar Azevedo, presidente da Abrasco, em matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira, dia 28. A docente destacou que o expediente de estudos-pilotos ou modelos já foi utilizado em outras situações com o intuito de, aos poucos, imprimir mudanças que não foram debatidas nem com as entidades representativas do setor, nem com o conjunto da sociedade.

Quem também se posicionou sobre o assunto foi Lígia Giovanella, coordenadora da Rede de Pesquisas em Atenção Primária à Saúde – Rede APS, que analisou o decretor para o site de notícias Outra Saúde.

“O decreto concretiza mais um passo para a privatização do SUS, sendo uma iniciativa que aponta para a comercialização do setor mais publicizado e eficiente do Sistema Único – o que é, inclusive, reconhecido pelo Banco Mundial”, analisou a abrasquiana a pedido do Outra Saúde. Lígia destacou ainda que o decreto soma-se a uma série de ações do governo federal que visam a descaracterização do SUS pela APS, como a criação da Agência privada para a atenção primária (ADAPS), e a mudança das regras de financiamento.

Outras entidades também se posicionaram. Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), gravou um vídeo nas redes sociais no qual expõe a perplexidade de controle social. “Estamos nos posicionando perante toda a sociedade brasileira como sempre nos posicionamos contra qualquer tipo de privatização, de retirada de direitos e de fragilização do SUS. Continuaremos defendendo a vida, defendendo o SUS, defendendo a democracia”, afirmou Pigatto, apontando que a Câmara Técnica de Atenção Básica irá fazer uma avaliação mais aprofundada ainda nesta semana.

Em entrevista ao O Globo, Carlos Lula, secretário de saúde do Maranhão e atual presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), qualificou como “estranhíssimo” o decreto que exclui o Ministério da Saúde do planejamento e gestão da principal forma de prestação de assistência. Na mesma matéria, o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informou que já pediu explicações ao Ministério da Saúde, que ainda não se posicionou nem pela imprensa, nem por comunidado público.

Matéria publicada pela ABRASCO 

Leia as manifestações da instituições

CNS – http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-informes/1433-cns-se-posiciona-contra-decreto-10-530-2020-que-privatiza-unidades-basicas-de-saude

CONASS – https://www.conass.org.br/nota-a-imprensa-decreto-10-530/
SBMFC-https://www.sbmfc.org.br/noticias/posicionamento-sobre-o-decreto-10-530-de-26-de-outubro-de2020/#:~:text=A%20diretoria%20da%20Sociedade%20Brasileira,disp%C3%B5e%20sobre%20a%20qualifica%C3%A7%C3%A3o%20da

OUTRA SAÚDE – https://outraspalavras.net/outrasaude/coracoesementespelosus/

Ágora Abrasco – Colóquio: Impactos do novo financiamento da APS no SUS

A Rede APS e Abrasco realizaram no dia 14 de outubro de 2020 o Colóquio: Impactos do novo financiamento da APS no SUS.

O evento foi transmitido ao vivo e está disponível no canal da TVAbrasco no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=mGxYNBAH-EY&ab_channel=TVAbrasco.

O colóquio discutiu análises realizadas pelo grupo técnico do Cosems-RJ sobre os impactos das novas regras de financiamento da Atenção Básica estabelecidas através da Portaria 2.979/2019 que instituiu o Programa Previne Brasil apresentadas por José Luiz Paiva (assessor técnico Cosems RJ) que mostram perdas em 2021 de mais de 800 milhões de reais nas transferências ministeriais para a atenção básica das cidades com mais de 500 mil habitantes conforme nota técnica.   

Grazielle David (doutoranda economia da Unicamp) destacou os desafios do financiamento do SUS e sua relação com o direito à saúde e Leonardo Vilela (assessor do CONASS) que destacou a importância de realizar estudos como o desenvolvido pela equipe técnica do COSEMS-RJ e melhorar o financiamento do SUS.

No evento participaram como debatedoras Claunara S. Mendonça (UFRGS/GHC), Maria Inêz Padulla Anderson (SBMFC), Maria da Conceição (Presidenta COSEMS-RJ), Lígia Giovanella (ENSP/FIOCRUZ) e Lúcia Souto (Cebes) apontando ameaças ao modelo assistencial da estratégia saúde da família de base territorial e comunitária e defenderam o fortalecimento do financiamento da APS e do SUS, a necessidade de exigir um orçamento adequado para 2021, de garantir a manutenção dos recursos adicionados para o enfrentamento da pandemia e revogar a Portaria 2.979/2019.

Acesse as apresentações dos pesquisadores Grazielle David e José Luiz Paiva em anexo a este boletim. Outras informações sobre os impactos das novas regras de financiamento da Atenção Básica estão disponíveis no Boletim da Rede APS do dia 24 de setembro de 2020 “Financiamento da APS em 2020 – estimativas do COSEMS RJ apontam perdas em 2021 para 76 municípios do Estado do Rio de Janeiro”.

Assista o evento na integra na TVAbrasco no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=mGxYNBAH-EY&ab_channel=TVAbrasco

14/10 às 15h – Colóquio –  Impactos do novo financiamento da APS no SUS

Nesta quarta 14/10 às 15 h Colóquio –  Impactos do novo financiamento da APS no SUS
Análise do impacto financeiro do Programa Previne Brasil nos municípios Fluminenses e em cidades com mais de 500 mil habitantes – José Luiz Paiva (assessor técnico, COSEMS-RJ)
Financiamento do SUS – Grazielle David (doutoranda em economia da Unicamp)
Financiamento da APS – Leonardo Vilela (assessor  CONASS)
Comentários: Claunara S. Mendonça (UFRGS/GHC), Maria Inêz Padulla Anderson (SBMFC), Lígia Giovanella (ENSP/FIOCRUZ) e Lúcia Souto (Cebes)
Coordenação: Luiz Augusto Facchini (Rede de Pesquisa em APS da Abrasco e UFPel)

Abertura: Gulnar Azevedo e Silva (Abrasco)
https://youtu.be/mGxYNBAH-EY

Rede APS produz série de vídeos para a educação permanente dos Agentes de Saúde

No Brasil, nos últimos meses, a crise sanitária e social decorrente da pandemia da Covid-19 tem exigido a rápida reorganização dos serviços de saúde e foram implementadas várias medidas que afetaram os serviços e, principalmente a vida das pessoas.

Na atenção primária à saúde, as ações de vigilância da saúde, fundamentais para o controle da pandemia, incluem ações de promoção da saúde, de prevenção de doenças na comunidade, e de cuidado à saúde, ações que sempre foram centrais na prática das equipes de saúde da família.

Os agentes de saúde, pela sua atuação cotidiana no território e sua proximidade com as famílias, têm um papel fundamental no desenvolvimento de ações de educação em saúde, no monitoramento de casos e contatos, e na vigilância em saúde. Estas ações devem ser desenvolvidas em articulação da APS com os setores da vigilância dos municípios e com ampla participação da comunidade. 

Atentos a importância de contribuir  à educação permanente para agentes de saúde no enfrentamento da Covid-19, integrantes do comitê gestor da Rede APS  produziram série de vídeos  contendo 12 temas que busca, de maneira simples e objetiva, reforçar as ações destes profissionais.

Em defesa do SUS, público, universal, de qualidade, direito de cidadania, mais importante do que nunca no enfrentamento da pandemia de Covid-19

A série está disponível no Canal no YOUTUBE Rede APS  no link https://www.youtube.com/channel/UCrKDMt1UM5cHcL8CYTasz0w

Temas:

Vídeo institucional da Rede de Pesquisa em APS da ABRASCO

 

Vigilância em Saúde: Identificação de Casos de Covid-19, Notificação, Monitoramento e o Papel do ACS

Teleatendimento e Continuidade de Cuidado de Crônicos

 

Vigilância Ativa na Covid-19 pelos Agentes de Saúde

 

Uso de Máscara – Caravana da Prevenção

 

Distanciamento Social

 

Cadastramento dos Usuários

 

Saúde e Segurança dos Agentes Comunitários de Saúde

Visitas Peridomiciliares

O trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde

Metodologia pedagógica: Como conduzir o processo educativo junto às equipes

A importância da vigilância do ACS no controle da pandemia de Covid-19

 

ÁGORA ABRASCO 14/10 – Impactos do novo financiamento da APS no SUS                                     

ÁGORA 14/10 – 15h às 17:30h 

Tema : Impactos do novo financiamento da APS no SUS                                     

Abertura: Gulnar Azevedo e Silva (Abrasco)                

Análise do impacto financeiro do Programa Previne Brasil nos municípios Fluminenses e em cidades com mais de 500 mil habitantes  

José Luiz Paiva (assessor técnico, COSEMS-RJ)                                       

Financiamento do SUS – Grazielle David (doutoranda economia da Unicamp)                       

Financiamento da APS – Carlos Lula presidente do CONASS                                                                                      

Financiamento da APS – Representante CONASEMS – A CONFIRMAR                                                                                              

Comentários :

Claunara S. Mendonça (UFRGS/GHC)

Maria Inêz Padulla Anderson (SBMFC)- 

Lígia Giovanella (ENSP/FIOCRUZ)

Coordenação: Luiz Augusto Facchini (Rede de Pesquisa em APS da Abrasco e UFPel) 

Reunião virtual Comitê Gestor

Atentos a importância de discutir ações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19 o comitê gestor da REDE APS reúne-se virtualmente pelo sistema Zoom.

Reunião virtual comitê Gestor

Atentos a importância de discutir ações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19 o comitê gestor da REDE APS reúne-se virtualmente pelo sistema Zoom.

 

04 de Outubro- Dia Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias

Parabéns aos Agentes Comunitários de Saúde profissionais indispensáveis para o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família  e do SUS.  Ser agente comunitário de saúde é ser povo, é ser comunidade. É conhecer de perto a realidade das famílias e fazer do seu trabalho  um meio de transformação social.