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Arquivo Mensal maio 2021

Relatório 1º Seminário 2021 da Rede APS:Os desafios da vacinação contra a Covid-19 na APS no SUS

No dia 27 de abril foi realizado o 1º Seminário 2021 da Rede APS que teve como tema: Os desafios da vacinação contra a Covid-19 na Atenção Primária à Saúde no SUS. O evento foi realizado de maneira remota e transmitido pelo canal de YouTubeTVAbrasco.

Na mesa de abertura participaram Luiz Augusto Facchini (Coordenador da Rede APS e professor da UFPel), Gulnar Azevedo (Presidente da ABRASCO), Carlos Lula (Presidente do CONASS), Wellington Carvalho (representando a OPAS/OMS Brasil) e Fernando Pigatto (Presidente do CNS). Como expositores participaram Carla Domingues (ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização), Magda Almeida (Secretaria Executiva de Vigilância e Regulação SES-CE), Fabiana Ribeiro (Gerente de Atenção Primária da SMS de Belo Horizonte), Mercedes Neto (Professora adjunta e chefe do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da UERJ) e Ilda Angélica (Presidenta da Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde CONACS). Ligia Giovanella, professora da ENSP e coordenadora da Rede APS , fez uma avaliação geral das exposições e o encerramento das atividades.

Na mesa de abertura, Luiz Augusto Facchini destacou a grave crise social e sanitária vivida pelo Brasil. O pesquisador apontou que essa crise está associada ao neoliberalismo que domina o governo brasileiro e que tem ocasionado o fim dos investimentos públicos, do Programa Minha Casa Minha Vida, do Programa Mais Médicos, da Farmácia Popular, o aumento da fome, do desemprego, vetou a Internet de graça para a educação de crianças pobres, não fortaleceu a APS e não investiu em vacinas contra a COVID-19, entre outras muitas inverdades apresentadas para a população. Fernando Pigatto também criticou o projeto atual de desmonte do que é público para entrega-lo à iniciativa privada, a EC 95, e outras reformas que vem atacando o SUS e procurando retirar direitos da cidadania e chamou a atenção para o importante papel do CNS na proposição da CPI da pandemia. De igual maneira, Carlos Lula, Presidente do CONASS ressaltou que a atuação do Governo Central dificultou a coordenação das políticas e sabotou o processo de controle da pandemia bem como da vacinação. Wellington Carvalho destacou a importância do combate às fake news e aos medos infundados sobre as vacinas, e reforçou que todas as vacinas são seguras e a principal ação no combate à pandemia. Gulnar Azevedo destacou a relevância do evento e convidou a todos e todas para participar no ato Ação do Lockdown no Pleno do STF, convocado pelas entidades da Frente Pela Vida, do Conselho Nacional de Saúde e centrais sindicais, realizado no mesmo dia 27 de abril, às 15 horas e transmitido pela TV Abrasco

Carla Domingues iniciou sua apresentação sobre o planejamento e logística nacional para vacinação contra a Covid-19 destacando que no Brasil, estão disponíveis a vacina Coronavac e a vacina de Astrazeneca, as duas requerem duas doses, são seguras e se conseguimos alcançar altas coberturas vacinais terão um grande impacto na saúde pública do país. Salientou que o foco da vacinação é o controle da doença, diminuindo a quantidade de casos graves e óbitos, por esse motivo é muito importante a priorização da vacinação da população. O Ministério da Saúde facultou aos estado e municípios a definição de aspectos relacionados à essas prioridades. Também, apontou a importância da implementação da fármaco vigilância em articulação com a Anvisa para fazer o monitoramento de eventuais efeitos adversos, sabidamente raros.

Além disso, destacou a necessidade de uma boa estratégia de comunicação que, em articulação com vários setores da sociedade, consiga orientar à população sobre a importância da vacinação, segurança das vacinas, critérios de priorização, locais onde a vacina está disponível e processo para ter acesso a elas, manutenção das medidas não farmacológicas para o controle da pandemia (uso de máscara, distanciamento social, lavagem das mãos entre outras). Essa estratégia de comunicação é imprescindível para combater as fakenews e enfrentar os grupos anti-vacinas. Ao finalizar a apresentação, Carla Domingues mencionou os desafios do processo de vacinação relacionados com a velocidade de produção nacional de vacinas para atender a demanda, a importância do pré-cadastro para evitar aglomeração e garantir a aplicação da segunda dose, a resposta a eventos adversos, a realização de estudos de efetividade e impacto da vacinação, a campanha de vacinação contra influenza em concomitância com a vacinação contra a Covid-19 e a importância de não descuidar o calendário infantil de vacinação. Ressaltou que a vacinação é responsabilidade de estados, municípios, do governo federal e de toda a sociedade de maneira que se possa alcançar altas cobertura vacinais de forma homogênea em todos os municípios.

A seguir Magda Almeida apresentou o plano estadual do Ceará para a vacinação contra a Covid-19 nas UBS. A pesquisadora destacou que desde 2020 o Estado fez um importante esforço de planejamento para a vacinação e comprou de maneira antecipada os insumos necessários (seringas, agulhas para todo a população) que foram distribuídos para os municípios a partir do dia 15 de janeiro. Foi implementado um processo de cadastro único de vacinação estadual e está sendo implementado um QR Code para facilitar a identificação. Os municípios podem ingressar na plataforma Saúde Digital e ver todas as pessoas cadastradas em cada grupo de prioridade e a partir dessa informação organizar a vacinação dessa população, todo o processo pode ser acompanhado nessa plataforma. A distribuição das vacinas aos municípios é feita por via aérea e terrestre. Apresentam um “vacinômetro” da Secretaria Estadual de Saúde onde ficam, dentre outras, a informação quantitativa consolidada das doses das vacinas aplicadas. Relatou que foi feita uma enquete com os munícipios em que encontraram as principais dificuldades para o processo de vacinação, destacando a logística, o transporte para distribuição das vacinas, escassez de recursos humanos e metas subestimadas. Para finalizar apresentou a estratégia de comunicação realizada para combater as fakenews e divulgar informações relevantes sobre o processo de vacinação, que inclui peças publicitárias compartilhadas no site da Secretaria de Saúde do Ceará e nas redes sociais.

Fabiana Ribeiro apresentou a experiência de planejamento, organização e logística para vacinação contra a Covid-19 em Belo Horizonte. A apresentação destacou que a APS é fundamental para o processo de vacinação no município devido a sua capilaridade. Para acelerar o processo de vacinação e continuar desenvolvendo as atividades de cuidado de rotina na APS, cada centro de saúde foi reforçado com mais dois enfermeiros para as salas de vacinação e foram implementadas equipes voantes para aplicação de vacinas em acamados, instituições de longa permanência e instituições para pessoas com deficiência. A ESF está engajada no processo fazendo busca ativa de idosos. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) contribuem na estratégia de aproveitamento de doses e orientam a população quanto ao período de vacinação e priorização dos grupos para receber as doses. Os profissionais do NASF também dão suporte no processo de vacinação. Além disso, foram implementados pontos de drive thru para administração das vacinas. Com essas estratégias a média diária de vacinação na APS de BH têm sido de 17 mil pessoas. A apresentadora também destacou como desafios do processo de vacinação a comunicação ágil com a população para a ampliação do público alvo, o aproveitamento das doses ao final do dia, a vacinação simultânea contra a Covid-19 e contra a Influenza, a resistência de alguns poucos usuários ao tipo de vacina e a sobrecarga de trabalho para os trabalhadores de saúde.

A seguir Mercedes Neto fez a sua apresentação sobre o papel da enfermagem no planejamento e gestão da vacinação contra Covid-19 nas UBS. Destacou que a participação das profissionais da enfermagem nas campanhas de vacinação é histórica, tanto na aplicação quanto no planejamento. No caso particular da vacinação contra a Covid-19 foram apontadas as deficiências do Plano Nacional de Operacionalização das vacinas contra a Covid-19 relacionadas às estratégias de pós-marketing, comunicação e orçamento. Outras dificuldades experimentadas no processo de planejamento da vacinação foram citadas: aquisição de insumos; análise do cenário e das estratégias para acesso a algumas populações sendo essa última dificuldade relacionada com o progressivo desmonte da ESF. Citou também a dificuldade de recursos humanos qualificados e  ausência de educação continuada para a equipe de enfermagem a fim de evitar erros na aplicação das vacinas. Mercedes também apontou as estratégias utilizadas pelos profissionais de enfermagem na vacinação contra a Covid-19 nas UBS que incluem estabelecer horários específicos para a vacinação a fim de evitar aglomerações, promover a vacinação institucional, nos locais onda estão os grupos prioritários, vacinação domiciliar e a utilização do “drive thru”. Levando em conta esse panorama a pesquisadora destacou que é muito importante a capacitação dos profissionais, melhora da logística e distribuição adequada das vacinas para todos os territórios, implementação de estratégias de comunicação, mobilização, articulação com associações de moradores, monitoramento e fármaco vigilância.

A presidente do CONACs Ilda Angélica destacou o importante papel desenvolvido pelos ACS nas campanhas de vacinação contra outras doenças e no controle da pandemia atual, ainda que num primeiro momento não tenham sido inseridos no processo da atenção à COVID 19. Também apontou que os ACSs são quem reconhecem e identificam as dificuldades que têm os usuários no processo de vacinação, como o não acesso à internet para fazer o cadastro. Os ACS têm participado ativamente e contribuído para facilitar esse cadastro, identificar os usuários idosos, estimular a importância da segunda dose, divulgar as campanhas de vacinação e combater as fakenews. No entanto, não existe um protocolo para guiar as atividades do ACS nesse processo.

Após as apresentações a coordenadora da Rede APS  Ligia Giovanella destacou que a vacinação deve ser no SUS e na APS, pela capilaridade que caracteriza a APS, possuir  logística adequada e contar com profissionais de saúde com experiência nessa atividade. Criticou a ação deliberada do governo federal para promover a alta disseminação do vírus e o negacionismo com o objetivo de deixar a população morrer até alcançar uma suposta imunidade de rebanho para retomar a atividade econômica, como é mencionado num estudo realizado por pesquisadores da USP. Lamentou a recomendação de uso medicamentos ineficazes para tratar a Covid. Desde uma perspectiva global, apontou as grandes disparidades entre o norte e sul global no acesso às vacinas, a maior parte das doses aplicadas ocorreram de forma concentrada nos países de alta renda. Além disso, salientou que no Brasil o acesso à vacina Coronavac e Astrazeneca foi possível pelo esforço de instituições de pesquisa e produção de imunobiológicos públicos reconhecidos, como o Instituto Butantan e Fiocruz.  Ligia salientou que o processo de vacinação é uma das mais importantes medidas para o controle da pandemia porque previne os casos graves da doença, no entanto é necessário continuar mantendo as medidas de autocuidado, uso de máscaras, higiene, distanciamento social e é necessário um lockdown nacional.

Para finalizar o evento os participantes que assistiram a transmissão através de Youtube fizeram perguntas e comentários pelo chat e os palestrantes comentaram e discutiram as questões. Alguns dos temas abordados foram: a importância de olhar a vacinação regionalmente devido à escassez de vacinas; a robustez da APS para a vacinação; a necessidade de importantes estratégias de comunicação com a população, planejamento adequado, capacitação e expertise dos profissionais e técnicos de enfermagem responsáveis pelo processo, aumento do número de profissionais para evitar a sobrecarga de trabalho e os possíveis erros. Também foi a abordada a quebra das patentes das vacinas.

Pode assistir o evento na integra no link da TV Abrasco no YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=uoUUgZ5kpMA&ab_channel=TVAbrasco

Apresentações dos convidados:

Carla  Domingues – simpósio REDE AP 27 04

Fabiana  Ribeiro – ApresentaçãoFabianapdf

Mercedes Neto – ApresentaçãoMercedes

Relatora: Diana Ruiz, doutoranda que contribui com a Rede APS com revisão do professor  Geraldo Cury

 

 

Sétima reunião de 2021 do comitê gestor

Data: 11/05

Pauta:

  • Breve avaliação do 1 Seminário
  • Apresentação da Pesquisa COVID-19 – Estratégias de enfrentamento à pandemia da Covid-19, conhecimentos, percepções e condições de trabalho e saúde dos profissionais de enfermagem na atenção primária à saúde nas “cidades-gêmeas” nacional pelos colegas Elaine Thume e Carlos Leonardo;
  • Temas da agenda estratégica e definição dos grupos de trabalho

Testes para detecção do vírus SarsCov2

A Rede de Pesquisa em Atenção Primaria à Saúde continua comprometida com a divulgação de informações confiáveis e de relevância que contribuam no controle da pandemia causada pelo vírus SarsCov2. Com esse objetivo, o Comitê Gestor da Rede APS conversou com o biólogo Fabricio K Marchini, pesquisador da Fiocruz Paraná e gestor do portfólio de desenvolvimento de produto da Fiocruz Paraná e do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), para esclarecer as características e indicações dos diferentes testes de detecção para Covid-19 disponíveis no Brasil. Neste boletim apresentamos brevemente as principais caraterísticas dos testes Real Time RT-PCR (reação em cadeia da polimerase em tempo real) e dos Testes Rápidos Antigênicos e sua possibilidade de uso rotineiro na APS para diagnóstico e rastreamento.

O Teste Real Time PCR é o mais sensível, isso significa que mesmo com carga viral baixa detecta o vírus. Este teste permanece sendo considerado como padrão ouro para a detecção oportuna da doença. O melhor período para aplicar este teste é entre o terceiro e o sétimo dia desde o início dos sintomas, ou ainda no oitavo dia, período que a carga viral é mais alta e, portanto, com taxa de transmissão mais elevada. No entanto, como é um teste tão sensível pode continuar dando positivo por um período mais longo, com baixa carga viral e baixo risco de contágio (Crozier et al, 2021).

O que preocupa no teste RT-PCR é o extenso tempo de processamento (desde 6h no melhor dos casos, até 24 ou mais horas) porque a amostra tem que ser processada em laboratório específico com processos técnicos com etapas que demoram horas. Existem iniciativas para diminuir esse tempo de processamento, por exemplo, através do uso de um equipamento que faz todo o processamento integrado em um cartucho, tardando apenas uma hora ou hora e meia. No entanto, o problema desse equipamento é o custo que é bastante alto. Ademais, importante parte na demora no retorno de resultados está relacionada à logística de envio das amostras para o laboratório, muitas vezes centralizado na capital dos estados e em grandes centros urbanos

A aplicação oportuna de testes para Covid-19 e acesso rápido aos resultados é crucial para controlar a epidemia por meio da vigilância epidemiológica, identificação precoce de casos, rastreamento de contatos próximos para permitir o isolamento de casos e contatos e quebrar a cadeia de transmissão. No entanto, quando o tempo de retorno do resultado dos testes é longo, perde-se a possibilidade de identificar os casos no período de maior transmissibilidade, isso impede o rastreamento dos contatos baseado nos resultados dos testes, e se perde a oportunidade em estabelecer isolamento domiciliar e quarentena dos contatos, reduzindo a transmissão comunitária.

Outro objetivo da testagem é obter dados epidemiológicos da evolução da pandemia, e para este fim podem também ser feitos os testes sorológicos que detectam a presença de anticorpos no sangue. No entanto, estes testes não são adequados para a identificação de casos na fase aguda, de maior contágio, pois a produção de anticorpos em geral se inicia depois do oitavo ou nono dia quando a fase de maior contagiosidade, que é o período obrigatório de isolamento, já está finalizando. Observou-se que após o décimo dia após o início dos sintomas, o risco de contágio é muito baixo, tanto é que o isolamento domiciliar recomendado é de dez dias (se o indivíduo não tiver mais sintomas).

Atualmente estão disponíveis no mercado Testes Rápidos Antigênicos, isto é, testes que também identificam a presença de vírus na orofaringe, com coleta por swab nasal de secreção, mas que são sempre menos sensíveis que o RT-PCR. A sensibilidade e especificidade dos testes antigênicos são avaliadas em comparação ao RT PCR e alcançam no máximo 93% de sensibilidade comparado ao RT-PCR.

Os testes antigênicos devem ser aplicados do terceiro ao oitavo dia do início dos sintomas, quando a viremia é alta. Ainda que a sensibilidade do teste antigênico seja menor, seu uso pode ser importante porque consegue identificar grande parte dos casos com elevada carga viral, e estes são os casos mais importantes de detectar, pois são os mais contagiosos e propagadores da epidemia.

Um teste rápido antigênico é confiável, isto é, seu uso é efetivo, se consegue detectar todos os casos com carga viral alta (isto é, com maior taxa de transmissão). Este tipo de testes produz poucos falsos positivos, mas pode produzir falsos negativos quando as pessoas testadas estão no período de incubação (3-5 dias antes do surgimento dos sintomas) ou quando não existe suficiente carga viral para ser detectada mediante este teste. Por isso sugere-se, o acompanhamento do paciente, para repetição do teste caso necessário.

Os falsos negativos são preocupantes porque podem dar a impressão ao paciente que não está infectado e causar um relaxamento das medidas de isolamento físico, favorecendo o contágio (Crozier, et al., 2021). Portanto, as pessoas com resultados negativos neste tipo de testes precisam de acompanhamento, vigilância epidemiológica e revisão do tempo desde o momento do contato e com a realização de um teste mais sensível, o RT-PCR.

Este teste é processado no local, o resultado é quase imediato (10-15 minutos) e é mais econômico que o RT-PCR. Os profissionais de saúde que aplicam este teste devem ser treinados para a tomada da amostra nasofaríngea e para a interpretação do resultado. Mas são procedimentos sem muita dificuldade que podem ser bem executados ap´so treinamento.

O teste rápido antigênico poderia ser produzido em larga escala no Brasil e poderia potencialmente ser aplicado em larga escala na APS, principalmente em regiões mais distantes dos centros urbanos, sem disponibilidade e acesso ao RT-PCR.

O teste RT-PCR e o Teste Rápido Antigênico são os principais testes usados para detecção do SarsCov2. No entanto, existem iniciativas para o uso de outros testes. No Brasil, foram iniciados estudos para o uso do teste RT LAMP. Este é um teste rápido molecular (demora 1h ou menos) com sensibilidade menor que o teste RT PCR. Tem potencial de ser mais econômico que o PCR mas tem maior custo que o teste antigênico.

Considerando o custo, disponibilidade, sensibilidade e especificidade dos testes aqui revisados conclui-se que o teste RT PCR permanece como padrão ouro, e que o teste rápido antigênico de coleta por swab nasal (ou saliva, quando devidamente validado) seria uma boa opção para utilização na APS, para apoiar as ações clínicas e de vigilância em populações e territórios definidos. Em todo caso, a aplicação deste teste em massa requer acompanhamento e revisão contínua dos benefícios e riscos dessa estratégia (Crozier, et al., 2021). Muitos países têm disponibilizado amplamente testes de antígeno para toda a população, como por exemplo a Alemanha que disponibiliza um teste rápido antigênico por semana, gratuito, em centros de testagem para toda sua população de mais de 80 milhões de pessoas e disponibiliza dois testes rápidos por semana para alunos assistirem as aulas presenciais com maior segurança.

 

É importante considerar que atualmente no mercado estão disponíveis muitos tipos de testes rápidos antigênicos e nem todos são confiáveis. Portanto, Fabricio K Marchini sugere alguns critérios a levar em conta para gerentes da APS escolherem adequadamente testes antigênicos:

  • Aprovação na ANVISA. Verificar no site da Anvisa: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/produtosparasaude/coronavirus
  • Analisar a avaliação clínica prévia do teste, comparado com o padrão ouro (RT-PCR): examinar o número de amostras utilizadas nessa avaliação, no mínimo 50, e verificar a sensibilidade e especificidade. A sensibilidade deve ser de no mínimo 90% e a especificidade deve ser no mínimo de 95%.
  • O teste deve ter sido avaliado para as novas variantes do vírus.

 

Maiores informações sobre os testes para detecção da Covid-19 podem ser consultadas no artigo a seguir utilizado na elaboração deste boletim.

 

Crozier A., Rajan S., Buchan I. e Mckee M. Put to the test: use of rapid testing technologies for covid-19. BMJ 2021;372:n208. doi: https://doi.org/10.1136/bmj.n208 Acesso: 13 abril 2021