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Para evitar o caos – artigo de Gulnar Azevedo e Gastão Wagner

Os presidentes Gulnar Azevedo e Silva e Gastão Wagner de Sousa Campos contribuíram com o debate social sobre a pandemia que assola a humidade, em artigo publicado em 28 de março no jornal O Globo. Eles são enfáticos ao afirmar que o coronavírus vem derrubando paradigmas, hábitos e, infelizmente, vidas. “Temos que colocar a vida humana como totalmente prioritária: à frente de negócios, produtividade, carreiras e interesses financeiros”. Clique aqui e acesse na publicação original, e leia abaixo na íntegra.

Para evitar o caos

O momento é gravíssimo. E o nosso compromisso é com a saúde da população. A nossa luta hoje é para salvar vidas.

O presidente da República, diferentemente de outros chefes de Estado, negou, em cadeia nacional, a gravidade da pandemia da Covid-19 na noite de 24 de março. Em sua fala, desqualificou as evidências científicas e a experiência de outros países de que a melhor estratégia, no momento, é fortalecer as medidas de isolamento domiciliar. Desvalorizou o trabalho incansável de jornalistas nos grandes veículos de comunicação e nas redes sociais, que têm esclarecido e orientado a população sobre a Covid-19 e as medidas preventivas para dirimir a transmissão da infecção. Rebaixou, inclusive, as orientações técnicas que o Ministério da Saúde vinha seguindo, em afinação às recomendações corretas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pandemia do novo coronavírus vem derrubando paradigmas, hábitos e, infelizmente, vidas. Temos que colocar a vida humana como totalmente prioritária: à frente de negócios, produtividade, carreiras e interesses financeiros.

Entre epidemiologistas e sanitaristas o debate está em curso sobre o rumo da epidemia no Brasil. As projeções no momento, ainda que em constante reelaboração, indicam que temos pela frente um futuro preocupante.

A recomendação da OMS é de somar, e não de escolher uma ou outra estratégia. Medidas de isolamento domiciliar e distanciamento social são efetivas e, conforme a dinâmica da epidemia, devem ser radicalizadas ou atenuadas.

Ampliar significativamente os gastos com o SUS se coloca mais do que nunca como essencial para aumentar a capacidade de internação em terapia intensiva, contratando profissionais em caráter emergencial, centralizando a regulação de leitos privados pelo SUS e instalando novos hospitais e serviços básicos de atendimento.

Alguns governadores e secretários estaduais estão acertadamente esforçando-se para dar respostas que possam lidar com o aumento da demanda de casos suspeitos, adotando medidas para possibilitar e assegurar o isolamento domiciliar. Merecem, assim, todo o nosso apoio. Contudo, infelizmente, este exemplo não está sendo seguido em todos os estados e municípios do país.

Apelamos para que o Brasil como um todo siga o caminho de valorização da vida. Competentes economistas já indicaram que o impacto negativo na economia será maior com a perda de vidas, o que acontecerá se pessoas se expuserem em trabalhos que não sejam estritamente essenciais, adoecendo e morrendo em maior número. Voltar às ruas agora é o que não deve ser feito.

Vamos precisar da solidariedade de todas e todos os brasileiros e, sobretudo, que o Estado assuma sua responsabilidade e coordene em todo os níveis medidas firmes de controle desta terrível pandemia. Apesar dos grandes avanços científicos e tecnológicos, o que aprendemos até agora é que os únicos remédios eficazes são o isolamento e o atendimento hospitalar adequado e em tempo certo. Estamos falando de evitar mortes e preservar vidas.

* Gulnar Azevedo e Silva é professora do Instituto de Medicina Social da Uerj e atual presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Gastão Wagner de Sousa Campos é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e presidiu a Abrasco entre 2015 e 2018

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