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Atenção Primária à Saúde e multimorbidade em seis países da América Latina e Caribe

Este estudo, publicado pelo Pan American Journal of Public Health, foi desenvolvido a partir de um inquérito realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2013/2014, através do qual foram coletados dados representativos sobre a prevalência de doenças crônicas e as experiências auto percebidas pelos usuários com serviços de atenção primária à saúde (APS) em seis países da América Latina e Caribe (ALC), a saber: Brasil, Colômbia, El Salvador, Panamá, Jamaica e México.

O objetivo do estudo consistiu em descrever os padrões de multimorbidade nesses seis países, caracterizando a associação entre multimorbidade e experiências na APS. Em cada país selecionou-se uma amostra de aproximadamente 1.500 adultos (maiores de 18 anos) não-institucionalizados, tanto de áreas urbanas quanto de áreas rurais, para serem entrevistados telefonicamente. O instrumento utilizado foi o mesmo aplicado desde 1998 pela Commonwealth Fund por meio de inquéritos em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

As condições crônicas abordadas pela pesquisa foram as mais comuns na região da ALC, a saber: artrites, asma, cancro, depressão, diabetes, doenças cardíacas, hipertensão, e colesterol alto. Por outro lado, as experiências com APS foram categorizadas em termos de acessibilidade, cuidado longitudinal, coordenação do cuidado, comunicação com provedores de APS, relações interpessoais, e competência cultural.

Os resultados apresentados incluem a associação entre maiores números de comorbidades e dificuldades no acesso à APS e na capacidade de cobrir gastos em saúde, inclusive nos países com provisão gratuita de serviços; porém, as pessoas com mais condições crônicas também tinham maior probabilidade de terem recebido conselhos sobre estilos de vida saudáveis, e de estar “em dia” quanto à realização de exames preventivos.

Na discussão, os autores ressaltam que os indivíduos com multimorbidade relataram maiores dificuldades com a fragmentação do cuidado, apontando que a maior parte dos sistemas de saúde ainda estão principalmente organizados ao redor do tratamento de doenças ou fatores de risco individuais. Portanto, o artigo conclui, os sistemas de saúde deveriam ser redirecionados para o cuidado centrado nos pacientes e a coordenação dos serviços, para melhorar os resultados em saúde e a qualidade de vida da população.

Vale notar que os achados não foram uniformes entre os seis países estudados, enquanto os entrevistados no Brasil, Colômbia e Panamá relataram menores problemas financeiros comparados aos outros três países, independentemente da gravidade de multimorbidade e de problemas de acesso. Além disso, destacam os autores, os resultados deste estudo não são generalizáveis para outros países da região.

Para maiores detalhes, convidamos à leitura do artigo na integra.

Por Diana Ruiz e Valentina Martufi – doutorandas que contribuem para a REDE APS

Rede APS

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